segunda-feira, 5 de março de 2012
Sobre essa falta
Eu sempre acreditei que mais dia ou menos dia encontraria alguém disposto a me amar, alguém que não desistisse de mim quando percebesse o fracasso que sou. Hoje, estou começando a duvidar da existência desse alguém. Sabe o que é? É que toda noite, quando eu desligo o notebook às 4h e pouca da madrugada e ouço o silêncio congelante, percebo que meu dia todo foi assim. Silencioso. E eu fico sem saber se todas as vozes que eu ouvi, todos rostos que eu vi e todas as gargalhadas que eu dei... Se todo o meu dia não foi só produto da minha imaginação, como uma tentativa frustada de fugir da minha solidão. Porque no fim de cada dia eu sinto como se ele não tivesse existido.
E nessas horas, eu sinto um vazio pavoroso dentro de mim e me dar vontade de pegar o telefone e ligar pra ele, independente da hora que é. De ouvir sua voz e suas palavras que vão fazer eu me sentir a pessoa mais importante do mundo. Pedir abrigo nos abraços dele. Mas, ele quem? Ele não existe. Não tem ninguém, nem no meu passado, muito menos no presente e estou começando a duvidar de que no futuro terá. Nesse momento todo o meu silencio é explicado, como uma explosão na minha mente que destrói o meu coração. E eu trato de romper esse silêncio com um choro com direito a lágrimas, ofensas e soluços. Mas ai eu lembro que as outras pessoas também vão notar a ausência do silêncio e eu trato de sufocar o meu choro, pra não ter que explicar pra eles o motivo. Pra não ter que pôr em palavras essa falta que eu quero esquecer.
Ai eu tento me acalmar, faço o que tenho que fazer e deito na cama, fico zapeando minha playlist no celular. Tentando achar musicas que não falam de amor num sentido normal, porque vou me lembrar de que nunca senti isso, nunca aconteceu comigo. E fico contando os minutos esperando dar 7h pro meu sono chegar e eu apagar. Esquecer desse buraco, até a hora d'eu acordar de novo e ter que encarar mais um dia silencioso. E eu fico sem saber o que escrever, o que ler, o que ouvir, o que assistir. Porque o amor é uma dessas que todo mundo parece ter, menos quem mais precisa. Se tiver tudo escrito em algum lugar mesmo, deve ter uma página da minha vida em branco.
É como disse o Caio Fernando Abreu em uma dessas frases que o povo posta no Tumblr e nessas redes sociais por ai. Eu não quero que seja pra sempre, nem que seja eterno. Eu só quero que seja. Entende isso? Mas não, não é. Nenhum cara parece ser capaz de me amar, de se apaixonar por mim, muito menos de lutar. E eu nem sei porquê. Então eu só fico aqui, com essa minha dor, minha aversão à musicas de amor, minha insônia insuportável, meus dias silenciosos e minha fé, agora não tão inabalável, de que um dia alguém vai me amar. Mas vai amar tanto, que eu nem vou lembrar de toda essa dor. Lá no final da página tem que tá escrito o nome de alguém - em caixa alta e negrito!
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